Literatura

Bruno de Menezes é tema do Café Literário

Vida e obra do poeta paraense. Nesta quinta, na Casa do Fauno

O poeta paraense Bruno de Menezes (1893-1963) deixou o mundo há 54 anos, mas devido à sua obra e personalidade ímpar jamais foi esquecido. Nesta quinta-feira (13), “Bruno de Menezes: entre andanças e batuques” será o tema do projeto Café Literário da Casa do Fauno, espaço gastronômico e cultural do bairro do Reduto em Belém, a partir das 19 horas, com entrada franca. Três convidados falarão sobre o bardo e folclorista que marcou época na cultura amazônica: os professores Rodrigo Wanzeler, Clei de Souza e Carol Menezes, bisneta do escritor.

De acordo com Wanzeler, ele e Carol vão se deter mais nos aspectos biográficos do poeta modernista. Como se sabe, Bruno de Menezes nasceu no bairro do Jurunas, em Belém, filho de pai pedreiro e mãe doméstica, cursou apenas o primário, na adolescência foi encadernador e, já na vida adulta, tornou-se funcionário público. Como autodidata, desenvolveu desde cedo grande paixão pelos livros e, à medida que evoluiu de leitor para escritor, foi fazendo amigos e influenciando pessoas.

“É aí que eu particularmente vou entrar, para falar de um Bruno de Menezes mais maduro e da rede de contatos que ele estabeleceu, ainda na primeira metade do século XX, com pesquisadores e com outros escritores de Belém e de outros estados. Ele se articulava e se movimentava muito bem”, observa Wanzeler, graduado em Letras, mestre em estudos literários e doutor em Antropologia Social pela UFPA.

Bruno de Menezes foi, de fato, um dos grandes agitadores da cena cultural paraense no início do século XX. Em 1923, fundou a revista Belém Nova, que propagou as ideias modernistas no estado e em todo o Norte do País.  Hoje, sua bisneta, fotógrafa, graduada em Letras e pesquisadora da Unama, desenvolve pesquisas a respeito de sua trajetória também como ‘homem de cultura’. Uma das plataformas utilizadas no trabalho é a internet, por meio da fanpage brunodemenezespoeta no Facebook.

A poesia de Bruno de Menezes, especialmente a de Batuque, sua obra mais conhecida, será abordada por Clei de Souza, professor na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, doutorando em Estudos Literários na UFPA e também escritor e compositor. Lançado em 1931, Batuque foi definido pelo romancista Dalcídio Jurandir como “um retrato de Belém, da história do Umarizal, da Pedreira e da Cremação; do cais e das velhas docas”; um livro marcado pela negritude, pelos ritmos africanos, pela plástica depurada e pelos temas populares. “É uma obra extremamente rica de significados. Na minha fala, vou fazer uma relação entre Batuque e a contemporaneidade”, adianta Souza.

Ao longo de seus 70 anos, Bruno de Menezes publicou sete livros de poesia, dois de folclore, um estudo literário sobre o cronista Jacques Flores, uma novela e um romance. Também publicou trabalhos esparsos na imprensa sobre folclore e cooperativismo. Em 1993, suas obras completas foram editadas pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult), em três volumes: poesia, folclore e ficção. Portanto, uma vida de muitas andanças e uma obra de muitos batuques, as quais, com justiça, serão relembradas no café literário desta quinta-feira na Casa do Fauno.
Texto: Iran de Souza
Frame da série “Tu Conheces?”, de Petrônio Medeiros, sobre os escritores paraenses Bruno de Menezes, Dalcídio Jurandir e Max Martins.
 

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