Artes Visuais

Novos artistas expõem na Casa do Fauno

Coletiva reúne diversas técnicas. Visitação a partir de 19h

Oito artistas emergentes nas artes plásticas unem as forças, e os próprios trabalhos, para aventurar-se em conjunto na exposição coletiva “Retratostratos e atos”, aberta desde 21 de março, no espaço de arte e gastronomia Casa do Fauno. A mostra ficará em cartaz até o final de abril, com entrada franca.

É uma oportunidade para apreciar o que andam fazendo, em seus ateliês e oficinas de criação, jovens talentos Israely Souza, Juliene Martins, Mayara Carvalho, Oneide Lima, Bruno Ferreira, Leonardo Santos, Santana de Carvalho e Rafael Matheus,  com a contribuição especial, também, de Catryn Santos. Muitos deles estudantes de artes, alguns já participaram de exposições, outros vão encarar uma mostra – e o decorrente julgamento de leigos e especialistas sobre seu trabalho – pela primeira vez na vida

Para Leonardo Santos, expositor e também um dos curadores da coletiva, o primeiro questionamento da exposição é o que é ser um artista emergente – e jovem – na Belém contemporânea. “Digo isso porque as obras refletem questões inerentes aos recortes identitários de cada um de seus criadores. A maior parte é de retratos no sentido mais imediato, outros são desdobramentos de uma discussão pessoal, que não se materializa através da ideia mais fixa de retrato, mas que desvela o subjetivo da maneira particular de cada artista. Ora construídas, ora desconstruídas, as identidades se formam e deformam no ritmo da liquidez do mundo em que vivemos todos e que nos conecta”, observa o curador.

Os materiais utilizados pelos artistas são variados e, muitas vezes, ousados. Rafael Matheus Moreira, por exemplo, em sua obra “Genesis”, cola pedaços de vidro na tela, mostrando uma figura humana com aparência feminina, o corpo quebrando-se em alguns pontos. Israely Sousa faz de um objeto comum um “ready-made”, ou seja, algo que, tirado de seu contexto, é exibido como objeto de arte. Já Juliene Martins, expositora e curadora também, trata seus autorretratos com a técnica do bordado. “Quer saber? Esta exposição mostra que todos nós fizemos o nosso ‘dever de casa’ direitinho, e, no mais, está imbuída, de toda a nossa vontade de ocupar um lugar ao sol, o que, em termos de arte, quer dizer também um lugar no mercado”, comenta Juliene.

Uma pergunta que não quer calar: por que um espaço de arte e gastronomia como o Fauno e não uma galeria de arte como local da exposição? Leonardo Santos, formado em artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA), diz que levar a mostra para o Fauno, um espaço de resistência cultural no velho bairro industrial da cidade, o Reduto, é uma forma de ressignificá-lo e também de vivificar um evento que, se feito em espaços tradicionais como as galerias de arte, tenderia à frieza e à mortificação.

“Sempre gostei da ideia de fazer exposições em lugares alternativos, e a Juliene, minha parceira de curadoria, também tem ideias parecidas com as minhas a este respeito. Desde a primeira vez que entramos no Fauno tivemos o sentimento, a sensação de acolhimento. Ali estamos em casa, num lugar que tem o nosso espírito e que fala a nossa língua, a língua inquieta da arte”, elogia Amadeu.
(Texto: Iran de Souza)

Serviço

De 21 de março - QUI

Até 30 de abril - TER

19h - Abertura (21/03)

19h às 00h - visitação

Casa do Fauno

Rua Aristides Lobo, 1061

(91) 98281-4575

Grátis



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